Poucas experiências no mundo dos videogames são tão arrebatadoras quanto ouvir o eco estridente de uma águia, subir ao topo de uma catedral gótica ou templo milenar, e contemplar um horizonte histórico recriado nos mínimos detalhes antes de saltar em direção a um fardo de feno.
Desde 2007, a franquia Assassin’s Creed conquistou um lugar cativo no coração dos apaixonados por história, conspiração e furtividade. O que começou como um experimento derivado de Prince of Persia transformou-se em um dos maiores pilares da indústria dos games. Mas além da eterna guerra silenciosa entre a Irmandade dos Assassinos e a Ordem dos Cavaleiros Templários, existe uma rica tapeçaria narrativa que abrange milhares de anos da história humana — temperada pela mitologia dos precursores conhecidos como a Primeira Civilização (os Isu).
Para quem deseja mergulhar nessa saga da maneira mais imersiva possível, vivenciar os eventos na ordem em que eles aconteceram dentro do universo do jogo é uma jornada sem paralelos.
Abaixo, preparamos a retrospectiva definitiva de toda a franquia Assassin’s Creed, organizada pela cronologia dos acontecimentos históricos, desde a Grécia Clássica até as revoluções do mundo moderno.
1. Assassin’s Creed Odyssey
- Período Histórico: 431 a.C. – 422 a.C.
- Localização: Grécia Antiga (Guerra do Peloponeso)
- Protagonista: Kassandra / Alexios (Portador da Águia)
A cronologia canônica da franquia não começa com capuzes ou lâminas ocultas, mas sim nas águas azul-turquesa do Mar Egeu e nos mármores da Grécia Antiga. Assassin’s Creed Odyssey nos transporta para o auge da Guerra do Peloponeso, o devastador conflito entre as cidades-estado de Atenas e Esparta.
No controle de um mercenário espartano desterrado (misthios) — com a guerreira Kassandra estabelecida como a protagonista canônica —, descobrimos que o personagem é neto do lendário Rei Leônidas I de Esparta. Em vez da tradicional Hidden Blade, a arma que define o combate é a ponta quebrada da Lança de Leônidas, um poderoso artefato deixado pela Primeira Civilização (os Isu).
A trama desvenda uma conspiração pré-templária: o Culto de Kosmos, uma seita que manipula os governos gregos nas sombras para semear o caos e controlar o mundo conhecido. Ao longo de uma jornada colossal que mistura filosofia socrática, dramas familiares trágicos e encontros com figuras históricas como Péricles, Hipócrates e Heródoto, Odyssey aprofunda de forma definitiva a mitologia dos Isu e as origens da linhagem genética especial que permitiu o surgimento dos futuros Assassinos.
2. Assassin’s Creed Origins
- Período Histórico: 49 a.C. – 43 a.C.
- Localização: Egito Ptolemaico
- Protagonista: Bayek de Siwa e Aya (Amunet)
Se Odyssey explora a proto-história dos artefatos do Éden, Assassin’s Creed Origins é a verdadeira certidão de nascimento da Irmandade. O jogo acompanha o declínio do Egito Antigo durante o conturbado reinado de Cleópatra VII e a intervenção militar de Júlio César.
O protagonista é Bayek, o último dos Medjay — os protetores tradicionais do faraó e do povo egípcio. Após uma tragédia inimaginável orquestrada pela misteriosa Ordem dos Anciões (a precursora direta dos Templários), Bayek e sua esposa, Aya, embarcam em uma violenta jornada de vingança pelas dunas, oásis e cidades monumentais como Alexandria e Mênfis.
Conforme a vingança pessoal se expande para a percepção de que a tirania da Ordem ameaça toda a humanidade, Bayek e Aya percebem que combater governantes corrompidos exige uma organização que opere fora dos holofotes. É aqui que nascem os Ocultos (The Hidden Ones), estabelecendo os rituais fundacionais que marcariam a franquia por séculos: o Salto de Fé como prova de coragem, a amputação do dedo anelar para o uso seguro da primeira Lâmina Oculta, a pena embebida no sangue dos alvos para confirmar a missão e o lema fundamental de agir nas sombras para servir à luz.
3. Assassin’s Creed Mirage
- Período Histórico: 861 d.C.
- Localização: Bagdá (Idade de Ouro Islâmica)
- Protagonista: Basim Ibn Ishaq
Quase nove séculos após os eventos do Egito, Assassin’s Creed Mirage nos leva à vibrante e cosmopolita Bagdá do século IX durante a Idade de Ouro Islâmica, sob a dinastia Abássida. O jogo serve como uma homenagem de amor ao estilo clássico da franquia, resgatando a furtividade metódica, a agilidade do parkour urbano e o foco absoluto nos assassinatos planejados.
A história foca na juventude de Basim Ibn Ishaq, que começa como um humilde ladrão de rua assombrado por pesadelos recorrentes com um ser mítico sombrio (um Djinn). Resgatado e apadrinhado pela mentora Roshan, Basim é levado à lendária fortaleza em construção de Alamut, onde é treinado com rigor nas artes dos Ocultos.
Ao retornar a Bagdá para desmantelar os tentáculos da Ordem dos Anciões que manipulam o Califado, Basim enfrenta não apenas alvos políticos perigosos, mas também uma crise de identidade sobre quem ele realmente é — culminando em revelações diretas sobre sua ligação com as memórias adormecidas da Primeira Civilização.
4. Assassin’s Creed Valhalla
- Período Histórico: 873 d.C. – 878 d.C.
- Localização: Noruega e Inglaterra Saxã
- Protagonista: Eivor Marca-de-Lobo
Poucos anos após os eventos de Bagdá, o foco se desloca para as terras geladas da Escandinávia e as colinas verdejantes da Inglaterra medieval. Assassin’s Creed Valhalla coloca o jogador na pele de Eivor, líder do clã viking Raven, que parte da Noruega em busca de terras férteis e prosperidade em um território britânico fragmentado entre reinos saxões em guerra.
Ao estabelecer o assentamento de Ravensthorpe, Eivor cruza caminhos com Basim e seu aprendiz Hytham, membros dos Ocultos que buscam erradicar a Ordem dos Anciões da Grã-Bretanha. Embora Eivor seja movida primariamente pela lealdade ao seu clã e pela glória viking, suas alianças a colocam no epicentro do conflito secular.
A narrativa de Valhalla é vasta e liga os mitos da cosmologia nórdica (Odin, Loki, Freya) às entidades Isu reais que tentaram escapar do grande cataclismo solar milênios atrás. Conforme Eivor derruba os membros da Ordem dos Anciões um a um, testemunhamos a transição filosófica decisiva: a destruição da antiga seita pagã abre espaço para o nascimento oficial de uma nova ordem cristã militarizada, que viria a ser conhecida na Europa como os Cavaleiros Templários.
5. Assassin’s Creed Shadows
- Período Histórico: 1579 d.C.
- Localização: Japão Feudal (Período Azuchi-Momoyama)
- Protagonistas: Naoe e Yasuke
Ambientado no final do século XVI, Assassin’s Creed Shadows mergulha em um dos períodos mais turbulentos e fascinantes da história japonesa: as campanhas sangrentas de Oda Nobunaga para unificar o arquipélago em guerra civil (Sengoku Jidai).
A trama entrelaça duas perspectivas complementares de combate e ideologia. De um lado está Naoe, uma shinobi letal e furtiva da província de Iga, treinada nas artes do assassinato invisível, uso de sombras e ferramentas ninja tradicionais. Do outro está Yasuke, o histórico samurai de origem africana que serviu diretamente a Nobunaga, trazendo força devastadora e honra no campo de batalha aberto.
Neste cenário de espionagem, honra e guerra aberta, a presença ocidental de mercadores e missionários jesuítas introduz a influência sutil dos Templários no Extremo Oriente, forçando a formação de novas alianças de assassinos locais para preservar a autonomia do povo japonês contra forças globais invisíveis.
6. Assassin’s Creed (O Original)
- Período Histórico: 1191 d.C.
- Localização: Terra Santa (Terceira Cruzada)
- Protagonista: Altaïr Ibn-La’Ahad
O clássico de 2007 que deu início a tudo. Assassin’s Creed transporta os jogadores para o coração do Oriente Médio durante a Terceira Cruzada, onde o Rei Ricardo Coração de Leão e o líder muçulmano Saladino disputavam o domínio de Jerusalém, Acre e Damasco.
Aqui, pela primeira vez na linha do tempo histórica, a organização abandonou o nome de “Ocultos” e atua abertamente como a Irmandade dos Assassinos, operando a partir da imponente fortaleza de Masyaf. O protagonista é Altaïr Ibn-La’Ahad, um mestre assassino arrogante que, após violar os três dogmas do Credo em uma missão fracassada nas ruínas do Templo de Salomão, é rebaixado ao posto de novato.
Para recuperar sua honra e seu título, o Grão-Mestre Al Mualim incumbe Altaïr de assassinar nove figuras-chave da região — homens que usam a guerra para oprimir a população. Ao cumprir suas missões, Altaïr descobre que todas as suas vítimas pertenciam a uma conspiração unificada: os Cavaleiros Templários liderados por Robert de Sablé, que buscavam a Maçã do Éden para impor uma paz tirânica através do controle mental.
Assassin’s Creed estabeleceu a base filosófica da franquia: o debate eterno entre o livre-arbítrio (com seus riscos e imperfeições) e a ordem imposta (com sua segurança sufocante).
7. Assassin’s Creed II
- Período Histórico: 1476 d.C. – 1499 d.C.
- Localização: Itália Renascentista (Florença, Veneza, Forlì, Toscana)
- Protagonista: Ezio Auditore da Firenze
Para muitos o zênite emocional da franquia, Assassin’s Creed II marca o início da aclamada “Trilogia de Ezio”. Saímos do pó da Terra Santa medieval para desembarcar no esplendor da Renascença italiana.
Conhecemos Ezio Auditore, um jovem nobre florentino carismático e despreocupado cuja vida é destruída quando seu pai e irmãos são traídos e enforcados em praça pública sob falsas acusações de traição. Ao resgatar os trajes e a lâmina oculta de seu pai no esconderijo secreto da família, Ezio descobre sua linhagem de assassinos e dá início a uma jornada de duas décadas.
Auxiliado por figuras históricas geniais como Leonardo da Vinci — que repara e aprimora suas armas —, Maquiavel e Catarina Sforza, Ezio persegue a conspiração liderada por Rodrigo Bórgia (o Grão-Mestre Templário que se tornaria o Papa Alexandre VI). O jogo culmina em Roma, nas profundezas da Capela Sistina, onde Ezio descobre a cripta subterrânea dos Isu e recebe a transmissão cósmica de Minerva, que olha diretamente através dos séculos para se comunicar com Desmond Miles no presente.
8. Assassin’s Creed: Brotherhood
- Período Histórico: 1499 d.C. – 1507 d.C.
- Localização: Roma e Viana
- Protagonista: Ezio Auditore da Firenze
Continuando imediatamente após os eventos de AC II, Brotherhood expande a maturidade de Ezio de um vingador solitário para um verdadeiro líder revolucionário. Após a destruição da Villa Auditore em Monteriggioni pelo sanguinário César Bórgia, Ezio viaja até a Cidade Eterna.
Roma está decadente, sufocada pela tirania, extorsão e corrupção da família Bórgia. Compreendendo que não pode vencer um império sozinho, Ezio restaura o conceito da Irmandade: ele recruta cidadãos comuns oprimidos, treina-os como discípulos assassinos e coordena ataques cirúrgicos contra as forças papais.
A mecânica de gerenciar e chamar recrutas no meio do combate revolucionou o dinamismo do gameplay. Brotherhood fecha o arco dos Bórgia com a queda definitiva de César nas muralhas do Cerco de Viana, consagrando Ezio como o Il Mentore supremo da Irmandade italiana.
9. Assassin’s Creed: Revelations
- Período Histórico: 1511 d.C. – 1512 d.C.
- Localização: Constantinopla (Istambul) e Masyaf
- Protagonista: Ezio Auditore e Altaïr Ibn-La’Ahad
O capítulo final da jornada de Ezio é uma obra-prima de sensibilidade narrativa e reverência ao passado. Já envelhecido, com mais de 50 anos, barba grisalha e buscando respostas existenciais sobre o propósito de sua vida de violência, Ezio viaja para a lendária fortaleza de Masyaf.
Encontrando o local ocupado por templários bizantinos, ele descobre que a biblioteca secreta de Altaïr foi selada por cinco chaves de memória gravadas com a tecnologia dos Isu. Isso o leva a Constantinopla, a encruzilhada cultural entre o Oriente e o Ocidente durante o auge do Império Otomano.
Em Revelations, o jogador alterna entre a busca de Ezio por sabedoria e as memórias jogáveis de Altaïr em diferentes fases de sua vida — desde o triunfo pós-Al Mualim até os momentos finais de isolamento dentro de sua biblioteca. O clímax do jogo, quando Ezio finalmente encontra os restos mortais de Altaïr, recusa a tentação da Maçã do Éden e deposita suas armas no chão para viver o resto de seus dias em paz com sua amada Sofia Sartor, é um dos momentos mais poéticos e inesquecíveis de toda a história dos videogames.
10. Assassin’s Creed Chronicles: China
- Período Histórico: 1526 d.C.
- Localização: China (Dinastia Ming)
- Protagonista: Shao Jun
A subsérie Chronicles adota uma perspectiva em plataforma 2.5D com arte estilizada que emula pinturas tradicionais a tinta. Narrativamente, este capítulo conecta-se diretamente ao curta de animação Assassin’s Creed: Embers.
A protagonista é Shao Jun, a última assassina remanescente da Irmandade Chinesa, que viajou até a Itália para ser treinada pessoalmente por um velho Ezio Auditore antes de sua morte. Armada com a sabedoria do Mentor e uma lâmina oculta instalada na bota (Footblade), ela retorna à China durante o reinado do Imperador Jiajing para vingar seus irmãos caídos e exterminar os Oito Tigres, uma facção templária que controlava os bastidores do império.
11. Assassin’s Creed IV: Black Flag
- Período Histórico: 1715 d.C. – 1722 d.C.
- Localização: Mar do Caribe (Nassau, Havana, Kingston)
- Protagonista: Edward Kenway
Saltamos para o início do século XVIII, em plena Era de Ouro da Pirataria nas águas cristalinas e perigosas do Caribe. Assassin’s Creed IV: Black Flag subverteu a estrutura tradicional ao nos apresentar a um dos protagonistas mais humanos e carismáticos da série: Edward Kenway.
Edward não começa como um defensor nobre do Credo, mas como um corsário galês ganancioso, egoísta e beberrão que deseja enriquecer para garantir uma vida de luxo para sua esposa na Inglaterra. Ao naufragar em uma ilha deserta e matar um assassino traidor (Duncan Walpole), Edward veste suas roupas e assume sua identidade para tentar vender um mapa e um artefato aos Templários em Havana.
Ao longo de navegações espetaculares no comando do navio Galiota (Jackdaw), saqueando galeões espanhóis e convivendo com lendas como Barba Negra, Charles Vane, Anne Bonny e Mary Read, Edward testemunha o sonho da república pirata livre de Nassau desmoronar diante de sua ganância. As perdas trágicas de seus companheiros forçam seu amadurecimento, transformando o corsário inconsequente em um verdadeiro homem de honra que adota a causa dos Assassinos e busca o mítico Observatório dos Isu para impedir a tirania global.
12. Assassin’s Creed Rogue
- Período Histórico: 1752 d.C. – 1760 d.C.
- Localização: América do Norte (Nova York, Vale dos Rios, Atlântico Norte)
- Protagonista: Shay Patrick Cormac
Se você sempre quis entender as motivações e a lógica por trás da Ordem dos Cavaleiros Templários, Assassin’s Creed Rogue é o capítulo obrigatório. Ambientado durante a Guerra Franco-Indígena (o teatro norte-americano da Guerra dos Sete Anos), o jogo apresenta uma perspectiva invertida e moralmente cinzenta.
O protagonista é Shay Patrick Cormac, um jovem e talentoso membro da Irmandade Colonial dos Assassinos liderada pelo Mentor Aquiles Davenport. Quando uma missão em busca de artefatos Isu em Lisboa provoca acidentalmente o catastrófico Terremoto de Lisboa de 1755, matando dezenas de milhares de inocentes, Shay fica horrorizado com a imprudência cega dos Assassinos em continuar manipulando essas relíquias desconhecidas.
Sentindo-se traído pelos seus superiores, Shay rouba o manuscrito dos precursores para evitar novas tragédias, sendo baleado e dado como morto por seus antigos irmãos. Resgatado por colonos leais à coroa britânica, ele é acolhido pelos Templários liderados por Haytham Kenway. Empunhando o icônico lema “Que o Pai da Compreensão nos guie”, Shay torna-se o mais temido caçador de assassinos, aniquilando a Irmandade Colonial quase por completo e conectando diretamente os eventos de Black Flag, AC III e Unity.
13. Assassin’s Creed III
- Período Histórico: 1754 d.C. – 1783 d.C.
- Localização: Estados Unidos Colonial (Boston, Nova York, Fronteira Selvagem)
- Protagonista: Ratonhnhaké:ton (Connor) e Haytham Kenway
O desfecho da saga original de Desmond Miles nos leva ao turbulento nascimento dos Estados Unidos da América durante a Guerra de Independência. Assassin’s Creed III começa com uma reviravolta brilhante: as primeiras horas colocam o jogador no controle de Haytham Kenway (filho de Edward), revelando apenas mais tarde que ele é o Grão-Mestre Templário na América.
O verdadeiro herói da jornada é seu filho mestiço, Ratonhnhaké:ton — mais tarde batizado de Connor por seu mentor, o idoso e amargurado Aquiles Davenport. Motivado pela destruição de sua aldeia indígena Kanien’kehá:ka e pela morte de sua mãe, Connor treina incansavelmente para reconstruir a Irmandade dos Assassinos do zero.
Connor é uma figura trágica e austera, preso entre dois mundos: ele apoia George Washington e os Pais Fundadores na luta contra a tirania britânica, apenas para descobrir que a nova nação independente continuará roubando as terras ancestrais de seu povo. Os confrontos intelectuais e físicos entre Connor e seu pai Haytham representam um dos debates filosóficos mais maduros e complexos sobre poder, moralidade e liberdade de toda a franquia.
14. Assassin’s Creed: Liberation
- Período Histórico: 1765 d.C. – 1777 d.C.
- Localização: Nova Orleans e Pântanos da Louisiana
- Protagonista: Aveline de Grandpré
Lançado originalmente para o PlayStation Vita e posteriormente remasterizado, Liberation corre em paralelo aos acontecimentos de Assassin’s Creed III. A protagonista é Aveline de Grandpré, uma mulher franco-africana livre que vive na efervescente Nova Orleans colonial sob a transição do domínio francês para o espanhol.
O grande trunfo mecânico e narrativo de Liberation é o sistema de personas: Aveline pode alternar entre trajes de Dama da alta sociedade (permitindo seduzir e subornar guardas sem levantar suspeitas), Escrava (permitindo misturar-se a trabalhadores rurais e instigar rebeliões) e Assassina (com mobilidade total e arsenal completo).
A história aborda diretamente as feridas da escravidão, o comércio transatlântico de seres humanos e as operações templárias que manipulavam as elites econômicas do sul dos Estados Unidos.
15. Assassin’s Creed Unity
- Período Histórico: 1789 d.C. – 1794 d.C.
- Localização: Paris (Revolução Francesa)
- Protagonista: Arno Victor Dorian
Com a estreia da engine AnvilNext 2.0 na oitava geração de consoles, Assassin’s Creed Unity entregou a recriação urbana mais densa, espetacular e impressionante visualmente de toda a série: Paris durante os horrores sangrentos da Revolução Francesa.
A história acompanha Arno Dorian, um jovem nobre francês cujo pai biológico (Charles Dorian) foi assassinado por Shay Cormac no Palácio de Versalhes. Adotado pelo Grão-Mestre Templário François de la Serre sem saber da afiliação secreta de sua nova família, Arno cresce ao lado de sua grande paixão, Élise de la Serre.
Quando o pai adotivo de Arno é traído e assassinado por uma facção extremista dos Templários liderada por Robespierre e François-Thomas Germain (um Sábio Isu), Arno é injustamente incriminado e preso na Bastilha. Lá, ele é treinado por um assassino e decide se juntar à Irmandade parisiense para expiar sua culpa.
A narrativa ganha força no romance trágico e proibido no melhor estilo Romeu e Julieta: um Assassino e uma Templária colaborando juntos em meio à Queda da Bastilha, a execução do Rei Luís XVI na guilhotina e o Período do Terror, enquanto o parkour vertical mais fluido da história dos games atinge seu ápice absoluto.
16. Assassin’s Creed Chronicles: India
- Período Histórico: 1841 d.C.
- Localização: Índia (Império Sikh em Amritsar)
- Protagonista: Arbaaz Mir
O segundo capítulo da trilogia 2.5D se passa em meio às tensões geopolíticas entre o Império Sikh e a Companhia Britânica das Índias Orientais.
O protagonista é o carismático Arbaaz Mir, que precisa equilibrar seu romance secreto com a Princesa Pyara Kaur e sua missão como Mestre Assassino: recuperar o lendário diamante Koh-i-Noor (um poderoso Pedaço do Éden) das mãos de um Mestre Templário britânico recém-chegado à região. O jogo destaca-se pelo design visual suntuoso inspirado na arquitetura e tapeçarias mogóis.
17. Assassin’s Creed Syndicate
- Período Histórico: 1868 d.C.
- Localização: Londres (Revolução Industrial)
- Protagonistas: Jacob e Evie Frye
Chegamos ao ponto mais avançado da linha do tempo histórica tradicional da franquia. Assassin’s Creed Syndicate nos transporta para o apogeu da era vitoriana em Londres, uma metrópole dominada pela fumaça das chaminés a vapor, fábricas têxteis impiedosas, ferrovias e o surgimento do capitalismo industrial moderno.
A cidade inteira está sob o controle absoluto do Grão-Mestre Templário Crawford Starrick, que comanda a economia, o parlamento, a polícia e as gangues de rua. Para libertar a capital britânica, os irmãos gêmeos assassinos Jacob e Evie Frye chegam de Crawley com abordagens contrastantes e complementares:
- Jacob é impulsivo e combativo; ele cria sua própria gangue de rua, Os Rooks, para tomar o submundo do crime e os distritos de Londres bairro por bairro em violentas guerras de território.
- Evie é metódica, erudita e focada nos dogmas do Credo; ela persegue relíquias do Éden, especificamente a Mortalha do Éden, para evitar que Starrick alcance a imortalidade.
Com mecânicas inovadoras como carruagens em alta velocidade, o disparador de corda (grappling hook) para cruzar largas avenidas e a presença ilustre de Charles Dickens, Charles Darwin, Karl Marx e Rainha Vitória, Syndicate entrega uma aventura vibrante que marca o fechamento da era clássica da franquia.
18. Assassin’s Creed Chronicles: Russia
- Período Histórico: 1918 d.C.
- Localização: Rússia Soviética (Guerra Civil Russa / Revolução Bolchevique)
- Protagonista: Nikolai Orelov
O capítulo histórico cronologicamente mais próximo da modernidade fecha a trilogia Chronicles. A história acompanha o veterano e exausto assassino Nikolai Orelov, que deseja apenas fugir da Rússia com sua família após os horrores da Primeira Guerra Mundial e da Revolução de Outubro.
Antes de partir, a Irmandade encarrega Nikolai de uma última missão: invadir a casa da família real Romanov sob custódia bolchevique e recuperar uma Caixa dos Precursores. Durante o massacre da família do Czar Nicolau II, Nikolai não consegue ficar impassível e decide resgatar a jovem Princesa Anastásia, que misteriosamente manifesta poderes Isu sincronizados com a memória genética de Shao Jun. Usando rifles de precisão, eletricidade e furtividade tática, Orelov protege a garota em uma fuga desesperada pelo território soviético.
Resumo Visual da Linha do Tempo Canônica
Para facilitar o seu planejamento da próxima maratona histórica, aqui está a ordem exata em que os séculos se desdobram:
| Ordem | Jogo | Época Histórica | Cenário Principal |
| 1º | Assassin’s Creed Odyssey | 431 a.C. – 422 a.C. | Grécia Antiga (Guerra do Peloponeso) |
| 2º | Assassin’s Creed Origins | 49 a.C. – 43 a.C. | Egito Ptolemaico |
| 3º | Assassin’s Creed Mirage | 861 d.C. | Bagdá (Califado Abássida) |
| 4º | Assassin’s Creed Valhalla | 873 d.C. – 878 d.C. | Noruega e Inglaterra Medieval |
| 5º | Assassin’s Creed Shadows | 1579 d.C. | Japão Feudal (Período Azuchi-Momoyama) |
| 6º | Assassin’s Creed (1) | 1191 d.C. | Terra Santa (Terceira Cruzada) |
| 7º | Assassin’s Creed II | 1476 d.C. – 1499 d.C. | Itália Renascentista |
| 8º | Assassin’s Creed: Brotherhood | 1499 d.C. – 1507 d.C. | Roma |
| 9º | Assassin’s Creed: Revelations | 1511 d.C. – 1512 d.C. | Constantinopla (Império Otomano) |
| 10º | AC Chronicles: China | 1526 d.C. | China (Dinastia Ming) |
| 11º | Assassin’s Creed IV: Black Flag | 1715 d.C. – 1722 d.C. | Caribe (Era de Ouro da Pirataria) |
| 12º | Assassin’s Creed Rogue | 1752 d.C. – 1760 d.C. | América do Norte (Guerra dos Sete Anos) |
| 13º | Assassin’s Creed III | 1754 d.C. – 1783 d.C. | Estados Unidos (Revolução Americana) |
| 14º | Assassin’s Creed: Liberation | 1765 d.C. – 1777 d.C. | Nova Orleans (América Colonial) |
| 15º | Assassin’s Creed Unity | 1789 d.C. – 1794 d.C. | Paris (Revolução Francesa) |
| 16º | AC Chronicles: India | 1841 d.C. | Índia (Império Sikh) |
| 17º | Assassin’s Creed Syndicate | 1868 d.C. | Londres (Revolução Industrial) |
| 18º | AC Chronicles: Russia | 1918 d.C. | Rússia (Revolução Bolchevique) |
O Elo Perdido: A Linha do Tempo do Presente e o Animus
Não é possível falar de Assassin’s Creed sem destacar o motor narrativo que costura todas essas eras distintas: a trama dos dias de hoje e a tecnologia do Animus. A premissa central é que o DNA humano armazena a memória genética de nossos ancestrais. Ao conectar um indivíduo à máquina desenvolvida pelas Indústrias Abstergo (a fachada moderna da corporação Templária), é possível decodificar e reviver essas memórias como uma simulação virtual hiper-realista.
Narrativamente, o presente se divide em três grandes fases:
1. A Saga de Desmond Miles (2012)
Do primeiro Assassin’s Creed até Assassin’s Creed III, acompanhamos Desmond, um descendente direto de Altaïr, Ezio e Connor. Sequestrado pela Abstergo e posteriormente resgatado pelos Assassinos modernos (liderados por Shaun Hastings, Rebecca Crane e Lucy Stillman), Desmond aprende as habilidades letais de seus antepassados através do Bleeding Effect (efeito de sangramento). O arco de Desmond culmina no sacrifício heroico de sua própria vida em 21 de dezembro de 2012 para impedir uma tempestade solar catastrófica que destruiria a Terra, libertando inadvertidamente a deusa Isu Juno na rede digital global.
2. A Era Corporativa da Abstergo Entertainment (2013–2015)
Em Black Flag, Rogue, Unity e Syndicate, o jogador assume o papel de um analista em primeira pessoa ou de um jogador recrutado pelo grupo hacker dos Iniciados. Com o avanço tecnológico do Animus, o DNA já não precisa pertencer ao operador: qualquer pessoa pode sincronizar com amostras genéticas extraídas de corpos conservados. É uma era focada na guerra de espionagem digital e na contenção dos seguidores de Juno (os Instrumentos da Primeira Vontade).
3. A Saga de Layla Hassan (2017–2020)
Com Origins, Odyssey e Valhalla, a pesquisadora e engenheira ex-Abstergo Layla Hassan desenvolve uma versão modificada e portátil do Animus que permite alterar pequenas variáveis de simulação e acessar memórias ultra-antigas com baixíssima pureza biológica. Ao herdar o lendário Cajado de Hermes Trismegisto e absorver séculos de conhecimento de Bayek, Kassandra e Eivor, a história de Layla redefine a compreensão sobre os ciclos de catástrofe temporal que ameaçam o planeta, conectando-se diretamente ao destino do universo no misterioso plano digital do Cinzento.
O Impacto da Evolução do Gameplay
Ao longo de quase duas décadas de existência, a franquia Assassin’s Creed passou por transformações drásticas de design que refletem a própria evolução da indústria de jogos:
- A Era da Furtividade Social e Parkour Clássico (2007–2015): Focada no conceito de se camuflar em multidões, observar rotinas de patrulha, escalar fachadas manualmente encontrando pegadas individuais e executar alvos com precisão cirúrgica de um único golpe da Lâmina Oculta.
- A Era dos Gigantescos Action-RPGs de Mundo Aberto (2017–2020): Introduzida em Origins e expandida em Odyssey e Valhalla, a série adotou árvores de habilidades profundas, sistemas de loot com raridade de equipamentos, combates baseados em hitbox e esquivas, e mapas colossais que recriam nações inteiras com dezenas de horas de exploração livre e escolhas narrativas.
- A Era da Coexistência e Retorno às Raízes (2023 em diante): Com projetos como Mirage e Shadows, a desenvolvedora equilibrou o apelo da precisão furtiva tradicional com a grandiosidade épica dos cenários mundiais.
Considerações Finais: O Credo que Ecoa nos Séculos
O que torna a jornada por Assassin’s Creed tão profundamente apaixonante não são apenas os gráficos soberbos, as recriações históricas arquitetônicas impecáveis ou o prazer visceral de vencer um duelo de espadas. É a sensação constante de que a história que nos contaram nos livros escolares é apenas a camada superficial de uma verdade muito mais instigante e perigosa.
Seja saltando do topo do Farol de Alexandria, cavalgando pelos campos de batalha da Guerra da Independência Americana, ou deslizando silenciosamente pelos telhados molhados pela chuva na Paris revolucionária, cada jogo é uma carta de amor à humanidade, às suas lutas eternas e à busca incessante pela liberdade.
Como o velho Mestre Ezio Auditore ensinou ao longo de sua inesquecível vida:
“Dizer que nada é verdadeiro significa entender que os fundamentos da sociedade são frágeis e que devemos ser os pastores de nossa própria civilização. Dizer que tudo é permitido é compreender que nós somos os arquitetos de nossas ações e que devemos viver com as consequências, sejam elas gloriosas ou trágicas.”
Ajuste o capuz, afie sua Lâmina Oculta e mergulhe no Animus. A história inteira da humanidade está à sua espera.




