Se você acompanha o mundo dos games, certamente conhece os nomes CD Projekt e CD Projekt RED. Durante mais de duas décadas, existiu uma distinção técnica: a primeira era a empresa-mãe (que cuidava de negócios, publicação e distribuição), enquanto a segunda era o estúdio de desenvolvimento focado em criar universos.
Essa distinção ficou no passado. Recentemente, em uma assembleia geral, os acionistas aprovaram a unificação definitiva da marca. Toda a estrutura da holding passa a se chamar oficialmente CD Projekt RED, consolidando sua identidade sob o icônico pássaro vermelho (o cardeal).
Para entender o impacto dessa mudança, precisamos olhar para a trajetória surpreendente dessa gigante polonesa.
Dos camelôs de Varsóvia ao topo do mundo
A história da CD Projekt começa nos anos 1990, logo após a queda do comunismo na Polônia. Os fundadores, Marcin Iwiński e Michał Kiciński, começaram vendendo cópias de jogos ocidentais em feiras de informática de rua em Varsóvia. Querendo formalizar o negócio, fundaram a CD Projekt em 1994 para importar jogos legalmente em formato CD-ROM.
O primeiro grande ponto de virada foi a localização de jogos. Eles perceberam que os poloneses consumiriam mais se os jogos estivessem em seu próprio idioma. O sucesso estrondoso da dublagem e tradução de Baldur’s Gate em 1999 provou que eles estavam certos e financiou o próximo grande passo: criar os seus próprios mundos. Em 2002, nascia a divisão de desenvolvimento, a CD Projekt RED.
O Fenômeno The Witcher e o tropeço de Cyberpunk
A decisão de adaptar os livros de Andrzej Sapkowski sobre o bruxo Geralt de Rívia mudou a história da indústria. O primeiro The Witcher (2007) foi um começo tímido, mas The Witcher 3: Wild Hunt (2015) transformou o estúdio em uma potência global, acumulando mais de 65 milhões de cópias vendidas e redefinindo o gênero de RPG de mundo aberto.
Em 2020, o estúdio enfrentou sua maior crise com o lançamento conturbado de Cyberpunk 2077. O jogo sofria com graves problemas de desempenho nos consoles da antiga geração. Nos anos seguintes, a liderança focou em uma “jornada de redenção”, investindo pesado em correções e na aclamada expansão Phantom Liberty, conseguindo reconquistar a confiança do público.
Por que unificar as marcas agora?
A transição para o nome único CD Projekt RED reflete uma mudança profunda no foco de negócios da companhia:
Foco no Core Business: Após decisões estratégicas recentes, como a venda da loja digital GOG.com para o cofundador Michał Kiciński, a atividade principal da empresa passou a ser estritamente o desenvolvimento e a publicação de seus próprios jogos e franquias.
Consistência Global: No mercado internacional, o público e os investidores já associavam a empresa diretamente ao nome “RED”. Manter duas marcas causava ruídos desnecessários de comunicação e recrutamento.
Transparência: Agora, a dona das propriedades intelectuais e o estúdio que as produz falam exatamente a mesma língua sob o mesmo teto.
O Futuro da Marca
Com a casa organizada e a marca unificada, a CD Projekt RED olha para o futuro com um cronograma ambicioso. O estúdio trabalha ativamente no próximo capítulo da saga dos bruxos, provisoriamente chamado de The Witcher 4, no remake do primeiro jogo da franquia e na sequência direta de Cyberpunk. Além disso, os fãs receberão em 2027 uma expansão surpresa chamada Songs of the Past para o terceiro jogo do Bruxo.
A unificação encerra o ciclo da antiga distribuidora de mídias físicas dos anos 90 e consolida, de uma vez por todas, uma das mentes criativas mais influentes do entretenimento digital moderno.



